A Garganta da Serpente
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Banho das letras

(Marília L. Paixão)

Vou me banhar. Nada de letras. Nada de estrelas. Nada de tombos. Vou me banhar numa cascata de água quente. Pretexto: limpeza pura e felicidade plena. Adoramos nos sentir limpos por dentro e por fora. Deve ser para acalmar as letras. Tudo tem hora. Vocês terão que se banhar agora.

Às vezes é necessário calar o relógio do tempo. Como se o tempo não fosse necessário ou como se olhá-lo nos fizesse perder tempo. Qualquer momento pode ser mágico, inclusive o do piscar de um olho. O relógio bate para quê? Se for para despertar de um sonho, não precisa bater. Se for para lhe lembrar de uma história sem glória, melhor esquecer. Mas o que glorifica o lamento de um homem além de aprender com seus próprios erros?

Nenhum homem conseguiria criar uma bela historia em que dela nada ele tivesse vivido. Pois mesmo em sonho ou devaneio, alguma coisa viveu. Nenhuma mulher choraria por uma alma que ela não tivesse conhecido de uma forma ou de outra. O amor é que marca as passagens da vida e a sabedoria apenas nos oferta a oportunidade de registrá-la seja de que forma for.

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