A Garganta da Serpente
Veneno Crônico crônicas
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Com quantos paus se faz um homem?

(Celso Manhiça)

Vida de gwendza é assim mesmo: cuecas em cima das panelas; um binga de roupa por lavar; xipungwanas vivos nas tigelas da comida esquecida... quem cozinha p'ra mim? Voluntárias!... lindas meninas; fazem amor, descascam batatas e cebolas, cortam tomates ... eu depois preparo a fruta p'ra todas (preservativos usados dentro dos sapatos; aromatizados e com bolinhas). E quando o pente decide brincar "banano, ainda não comeu" com a minha pessoa, penteio com o garfo! Preciso tanto de um pente como um xipoco de catequese.

O movimento lá no meu cubículo, parece loja de monhé da baixa na quadra festiva. A sanita já entupiu umas mil vezes. As magrinhas são as piores. O cocó de alguém não se mede pelo tamanho do seu proprietário. Fui obrigado a escrever um ultimato na porta do sanitário (quase público):

"Não coloque o papel higiénico na garganta da sanita! Ponha-o no cú do balde S.f.f.! Agradecido!"

Aliás, aquilo nem era um balde. Era um debalde!... um contentor igual a esses, sempre entupidos, do macaco Simango mas vazio. Ninguém punha lá o tal papel, higiénico só antes de limpar as janelas do rabo.

Mas o que a vida de gwendza tem de melhor, é a própria vida de gwendza! Mesmo que por pouco, vale apena vivê-la. Porque depois vem as convenções e essa macacada toda; os que já se enforcaram, querem companhia na vala comum.

Tenho para mim que, para colocar um ponto no "i" da vida, um tipo tem que passar um intervalo consigo mesmo, para descobrir com quantos paus de faz um homem. Outros saem da frigideira da casa da papá e caem no lume da vida de gwendza. E adivinhem lá o que fazem a seguir? Voltam à frigideira, aos almoços de graça, aos prémios de obediência e essa cagada toda. O que lhes falta são cojones. Dois cojones.

Ike Turner, ao pé de mim, era uma moça. Aquilo que ele fazia à Tina, eu faço-o, em dobro, à vida. Pego-lhe pelas tissagens e atiro-lhe à parede. Tufa!... Quem manda aqui??.. ou a vida me respeita ou apanha. Se ela quiser pôr o dedo nas minhas feridas, ficará ela com feridas no dedo. Porque é assim que um homem deve escolher viver, merecendo, sempre(!), o pau que carrega entre as pernas. Porque é com esse pau que se faz um homem.

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