A Garganta da Serpente

Charles Baudelaire

Charles-Pierre Baudelaire
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Há uma passante

Rua sobre mim rugiu um som ensurdecedor.
Alta, esbelta, em pesado luto, dor majestosa,
Uma mulher passou, com uma mão faustosa
Levantando, balança a bainha de sua saia;

Ágil e graciosa, perna era quão estátua.
Tensa como dum delírio, do qual bebi
Seus olhos, céu livor onde os torós abrolham,
A doçura nos encanta e o prazer que mata.

Um relâmpago ... então noite! Bela beleza
Por cujo olhar de repente eu renasci,
Não te verei mais antes da eternidade?

Noutro lugar, longe aqui! Mui tarde! Jamais
Porque não sei onde fugiu, não sabe onde vou,
Ó tu eu teria amado, ó tu que o sabias!

Spleen et idéal - Charles Baudelaire
(Traduzido por Eric Ponty especialmente para a Garganta da Serpente. Não reproduzir noutro lugar)

(Charles Baudelaire)


voltar última atualização: 19/04/2017
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