A Garganta da Serpente
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Faroleiros de Almas
- Um livro de Rita Velosa nosso habitante -

PALAVRAS AMIGAS

As palavras são sempre um bálsamo para a alma, quando quem as diz sente em si o dom da Amizade.

O poeta procura nas palavras o desabafo e ânsia de libertar-se num voo subtil até ao infinito quando o poema lhe sai do coração. O poema é feito de palavras sentidas. O livro é um cofre onde o poeta grava as palavras, feito de palavras escritas que são o testemunho valioso, através do qual podemos avaliar o seu estado de alma, a sua poesia, o seu carácter, embora o “poeta seja um fingidor” como nos diz o genial poeta português Fernando Pessoa.

As palavras são raios de luz que nos iluminam quando ditas com carinho. São luzeiros que iluminam as trevas do coração, sendo os poetas os faroleiros que acendem as luzes dentro de nós. Assim, Rita Velosa no seu livro “Faroleiros de Almas” dá-nos também o lenitivo e nos mostra o grande ser que é a sua autora, em que os seus poemas são capazes de nos absorver a atenção, fazendo com que o leitor seja transportado ao seu Mundo interior e à realidade explicitada através da bela poesia contida no livro. Por ele passam as horas saudosas da sua infância, cheia de sonhos, de incertezas, de alegrias, mágoas que se vão alargando na medida em que observa o mundo que a rodeia. Temáticas concernentes a reflexões pessoais, angústias, alívios ou contentamentos que são comuns.

A poesia vai crescendo, acompanhando o ritmo evolutivo no seu sentir, do seu sentimento mais profundo – A Alma – farol de luz – no amor à Natureza, muitas vezes com sentimento de revolta pelas injustiças do dia a dia. Observadora atenta refere:

“Olhando Marte no infinito
Vemos um planeta avermelhado
Outrora planeta azul
……………………………………
Condenados à extinção…”


E quando revoltada no seu poema “Podridão” nos diz:

“Queria falar de incestos, estupros e abortos;
………………………………………………………
Que os vermes cantem em nosso louvor
Enquanto limpam os nossos caixões!”


Estas suas palavras fazem-me refletir e dizer:

No dia em que o poeta morrer…

Todas as espadas deixarão de combater!

Quanto mais se lêem os seus poemas, mais vontade se tem de reler o que nos dita a sua alma simples, bondosa que ama o mundo.

Por isso Rita nos diz em Passional:

Eu sou Passional e esse é o meu mal
O que me move é o Amor
Todo o Amor que houver nesta vida!

Que beleza! Os seus poemas são puros e inocentes, deleitosos como se brotassem da nascente de Epicuro. Uns cheios de princípios éticos e de valores humanistas. Um pélago de palavras, sentimentos e conceitos numa variante de formas poéticas em que a poesia moderna toma corpo e a clássica se misturam num saber fazer, em transmuta o “eu” poético do autor no universo que somos todos nós. Um espelho de imagens perfeitas em que todos refletimos e o livro nos oferece, o tipo de poesia, moderna, espontânea é actual. Sob o ponto de vista técnico, a rima, a métrica, as regras de ritmo são diferentes da poesia clássica. Acontece poesia no verso solto, livre, branco em que a autora é mestra do saber. libertando-se de amarras, quando se dá a corpo inteiro e a caneta desliza livremente ao sabor da maresia, porque poesia é mar – farol e faroleiro – o poeta . Constata-se na sua obra, no sentido da palavra poética, que a autora se solidariza com o seu semelhante, interpretando o ser humano, através de pensamentos, ideias e interrogações.

Bem vindo leitor ao seu Mundo e à realidade explicitada através bela poesia de Rita Velosa, no seu livro Faroleiro de Almas que há-de iluminar o Mundo Poético além Fronteiras.

(Maria José Fraqueza - Escritora e Poetisa - Portugal)

 

Para descobrir todos os fenômenos que deseja,
basta ao sábio três coisas: pensar, pensar, pensar

Isaac Newton 1642/1726

Rita Velosa nos apresenta em “Faroleiros de Almas”, mais que um conjunto de poemas marcados por momentos de sua existência, porque deixam evidente a insegurança e suas preocupações com tudo que não consegue entender, diante das bruscas mudanças que hoje ocorrem em curto espaço de tempo. Tal afirmativa se deve aos poemas “Ocaso” e “Marcas do Tempo” aonde faz reflexões sobre sua infância e os hábitos e modo de vida de seus avós, muito marcados em suas lembranças.

Sua verve poética demonstra sua perfeita adaptação ao neo-modernismo, buscando a síntese em muitos de seus escritos. Apesar disso, em alguns textos, ensaia o estilo clássico e em ambos os estilos não consegue esconder-se, mas propositalmente exprime os seus próprios sentimentos assim como o fez Eugene O’Neill em sua obra “ Longa Jornada Noite Adentro”.

Rita Velosa, passa-nos a sensação de que enfrenta problemas diante da solidão e, esse fato, nos reportou à Franz Kafka que por toda a vida tentou fugir dela. Inclusive a morte, o fim e a indagação sobre o depois, acompanham-na em seus textos.

Os poemas “Desencontro” e “Inverno” são de construção que nos lembram, em momentos, Oswald de Andrade, expressivos e diretos.

Por toda a exposição dos sentimentos da autora, “Faroleiros de Almas” incita-nos a leitura e a reflexões que, certamente, levarão muitos de seus leitores à própria identificação.

(Condorcet Aranha - Escritor e Poeta - Doutor em Ciências - Joinville/SC)

 

“FAROLEIROS DE ALMAS”

Algumas pessoas diferem das demais. São aquelas que se dedicam à arte da escrita. Estão sempre às voltas com os seus personagens, “falam” com eles, assumem os seus problemas e vivem as suas aventuras e desventuras. É assim que elas criam histórias e levam lazer e sonhos a outras pessoas, os seus leitores. Acredito que esta gente faz parte daquele grupo de seres humanos chamados de “o sal da terra.” Porém, parte dessa gente pode ser considerada especialmente diferente. São os poetas e as poetisas. Homens e mulheres com o dom especial de fazer versos e encantar pessoas com os seus poemas. São encantadores de gente. Assim é Rita Velosa.

E ste seu “Faroleiros de Almas” é uma amostra da sua capacidade de poetisa da melhor qualidade. De escrita fácil, sensível e observadora atenta do mundo que a cerca. A melhor demonstração desta afirmativa é o poema que dá nome a este livro. Todas estas qualidades resultam em obras como esta, que reúne poemas que além de levar ao leitor momentos de grande enlevo, convida-o a meditar sobre o mundo atual. Mundo este que cuida tão pouco do lado cultural, com o imediatismo cedendo lugar ao definitivo. Onde o descartável impera. Enfim, um bálsamo, uma fuga destes dias tão insossos que atravessamos. Aqueles que tiverem o privilégio de lerem “Faroleiros de Almas”, certamente terão os seus espíritos mais iluminados. Entreguem-se ao mundo da poesia e boa leitura!

(Escritor José Geraldo Tavares - Juiz de Fora /MG)

 

A palavra vive. Permeia o ar e alcança o nosso sentido.

Plena de um vago sabor nostálgico, a palavra de Rita Velosa nos capta inserindo-nos num mundo seu, onde habita a poesia desvelando um caleidoscópio de imagens que abrigam sonho, perplexidade e reação de maravilha.

Ora recheados de lirismos, ora desataviados de realismos, colhendo momentos de sua vida, observações de seu ego em contato com o mundo externo, num fluir do tempo evocado, os versos de Rita Velosa nos coloca em comunhão com a magia da poesia.

O maravilhoso se traduz na magnificência da sua arte de escrever. Melhor do que ninguém Rita Velosa recria versos de Castro Alves em “Honra a Tua Bandeira”, os de Gonçalves Dias em “Onde Canta o Ra-tá-tá” lapidando uma nova mensagem dentro da estrutura já pré-existente.

Sua afinidade poética faz reafirmar o continuum de que reveste o tecido de sua poesia onde há o que nos convida, nos intima a passear pelo mundo metafórico de seus versos.

“Faroleiros de Almas” é mais do que um conjunto de poemas - é uma coletânea de jóias raras esculpidas, ano a ano, em versos de Rita Velosa. É como “um sorriso ausente que ninguém sabe onde foi parar..”( Poema”Separação”), “um novo amor sempre a espera” (Poema “E Como Diria Vinícius”) ou “Brilhando e consumindo-nos loucamente, / No desespero da Lucidez ? Em chama interna,/ Luz eterna, /No calor da esperança,/ Girando,girando,girando.../ Perscrutando desesperadamente! “ (Poema “Faroleiros de Almas”) .

Quem não conhece os versos de Rita Velosa deve se preparar para pisar nas terras onde as palavras adquirem imagens que nos levam ao fantástico mundo de sua obra poética.

(Escritor Roberto Márcio Pimenta - Serra/ ES)

 

Rita Velosa é uma escritora que vem acumulando inúmeros prêmios, obtidos em concursos literários de prosa e verso, nos últimos anos. No seu extenso curriculum vemos poemas, contos e crônicas selecionados e publicados em antologias de Norte a Sul do Brasil. Integrante de diversas organizações culturais, Rita tem a literatura no sangue, literalmente, pois representa a terceira geração de escritores de sua família. Após o livro Ventos Passantes, ela nos ilumina, agora, com este Faroleiros de Almas, no qual reúne poemas variados, escritos nos últimos anos.

Nos seus versos, encontramos a desolação urbana, a angústia e a ansiedade dos cidadãos do século XXI, tão sozinhos em meio à multidão. Perdidos, sofridos, desamados e desarmados, como podemos constatar na sequência de poemas Desalento, Desencontro e Despedida. É um poético retrato da nossa Civilização, que tanto precisa de poetisas-faroleiras como Rita para, como num espelho, encontrar-se face-a-face.

Mas não é de tristeza a sua mensagem: é de Esperança, pois nas entrelinhas do seu texto, percebemos que a fé nunca morre e que a recompensa destinada àqueles que lutam, que persistem, é a realização. É o que se evidencia nos poemas Passional e Perfeição. Como poetisa, Rita sabe a importância que tem a Poesia para a construção de um mundo melhor. Seu Faroleiros de Almas nos conduz a um porto seguro, onde podemos acreditar que as vagas do Destino não afundarão as naus dos nossos sonhos.

(Escritor Goulart Gomes- Salvador/Bahia - www.goulartgomes.com)


Faroleiros de Almas
Autora: Rita Velosa

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