A Garganta da Serpente
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Mistério e horror na Inglaterra do século XII

Na Cambridge medieval, uma criança desaparece e logo em seguida é encontrada morta, brutalmente crucificada. Com o desaparecimento de outras três, os judeus da cidade são acusados de usar as crianças em rituais macabros, os sionistas até então viviam em relativa tranquilidade no país, bem diferente do restante da Europa. Responsabilizados pelas mortes, dois deles são mortos, linchados pela ira da população, enquanto o restante fogem para a segurança do castelo do rei Henrique II. O rei não está satisfeito, relutante em ceder os apelos de seus súditos de expulsar os judeus da Inglaterra, pela possível perda de sua principal fonte de renda. A situação fica incontornável e Henrique solicita ao seu amigo, o rei de Sicília, a vinda de um especialista na "arte da morte", alguém que possa descobrir o verdadeiro assassino.

Essa é a história do livro A mulher que desvendava a morte - Uma investigação criminal na Inglaterra do séc. XII (Rocco, Tradução de Waldéa Barcelos, 416 páginas) da inglesa Ariana Franklim. A autora baseou-se m fatos reais para criar sua protagonista. Especialista em história medieval, ela descobriu que a Escola de Medicina de Salerno, o mais importante centro de pesquisa na área à época, autorizava a autópsia de cadáveres para estudo de anatomia e possuía várias mulheres entre os cientistas. Uma delas, conhecida apenas como Tórtula, e de quem se sabe somente que foi casada e mãe de dois filhos, deixou vários artigos que foram referência na área médica por mais de 500 anos. Seus textos acabam de ser traduzidos pela Universidade do Arizona e mostram que, em meio à caça às bruxas da Idade Média, era possível encontrar pesquisas científicas sobre o funcionamento do corpo humano.

Uma mulher, educada na famosa escola de medicina de Salermo é enviada para investigar as mortes. Acompanhada pelo renomado mediador Simon de Nápoles e seu criado árabe, o eunuco Mansur, Adélia - a Mestra na "arte da morte", no original em inglês, The Mistress of the Art of Death - se aventurarão pelo território inglês. Logo, de início, no caminho a Cambridge, por um acaso do destino, encontram o Prior da cidade, com uma terrível infecção urinária. Adélia, embora sabendo como tratar do problema, sendo uma mulher, não poderia executar a operação sem ser acusada de feitiçaria. Para tanto, executa o caso em segredo para evitar as acusações. Assim, apesar de seu formidável conhecimento em patologia forense, para aquele povo, deve-se colocar como assistente de seu servo, que fingirá ser o médico responsável. Curando o Prior, ela ganha um amigo importante na cidade, que ajudará na difícil missão de investigação.

Uma personagem, que como os protagonistas do seriado C.S.I. Lança mão das mais sofisticadas técnicas da medicina e análise forense de seu tempo, além de um indiscutível talento para a investigação, para descobrir a identidade do assassino antes que ele ataque novamente.

Uma narrativa fantástica, com toque de romance, horror, humor e mistério. A investigação se mostra bem complexa, mas é explorada com as pistas levando a novas pistas. Os personagens são bem retratados, os pontos negativos é que são inseridos certas coisas que não pertencem ao século XII, e Adélia possuem conhecimento que vai além de seu tempo. Contudo, este é um livro de mistério, de suspense, não se trata de um romance histórico.

O livro além de instigar pelo trama e pelas reviravoltas, agrega os debates medievais:Cristandade x Islã, Cristãos x Judeus, Ciência x Superstição, Lei dos homens x Lei de Deus.Recomendado para quem gosta de mistério. Ótima leitura.

Quatro crimes bárbaros
Um homicida incompreensível
E uma mulher capaz de revelar os segredos da morte
em plena Idade das Trevas

Ariana Franklin é o pseudônimo de Diana Norman, uma jornalista inglesa que já escreveu biografias, assinadas com seu nome real, e outros livros de ficção, também sob pseudônimo. Nascida em Devon,casada, criou duas filhas e, atualmente, dedica-se ao estudo da história medieval e à escrita. Um romance que se desenrola no século XII, o seu período favorito, foi considerado a melhor pesquisa do ano da sua publicação pela BBC e pelo historiador Dr. David Starkey.


A mulher que desvendava a morte - Uma investigação criminal na Inglaterra do séc. XII
Autora: Ariana Franklin
Tradução: Waldéa Barcelos
Editora Rocco
416 páginas
2007

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