A Garganta da Serpente
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Um eunuco como detetive em A árvore dos janízaros, de Jason Goodwin

Constantinopla, 1435 O Sultão otomano Mohamed II aproveitando o declínio bizantino e a decadência do poder da cidade, após várias investidas de seus predecessores de tomar a cidade, reúne um exército de 100 mil soldados, entre eles, 12 mil janízaros, a tropa de elite dos turcos otomanos, constituída de crianças cristãs capturadas em batalhas, levadas como escravas e convertidas ao Islã. Foram eles que escalaram as muralhas da cidade, em meio ao fogo, flechas e dardos, sem nada conseguir detê-los. Um esquadrão deles conseguiu saltar a muralha, e, suplantando a tenaz resistência dos bizantinos, correu para abrir um dos portões. Rompido o dique, fez-se a enchente. Milhares de soldados turcos esparramaram-se aos gritos pelas ruas e vielas de Constantinopla gritando vivas a Alá. A maçã de prata caía perante a Porta.

Istambul, 1826. Após quatrocentos anos defendendo o Império formado como seu exército de elite, os janízaros são massacrados, o extermínio da tropa foi causada pela corrupção de seus membros e pelo poder abalado aos olhos dos vizires e sultões.

Essas são duas datas com acontecimentos marcantes para a história do antigo Império Turco Otomano, e o livro A Árvore dos Janízaros (Objetiva, 364 pp, R$49,90), do escritor inglês Jason Goodwin cria em uma atmosfera histórica, uma ficção cheia de mistérios e suspense, ambientada em um cenário que envolverá personagens históricos e as respectivas datas, com um eunuco como protagonista. Goodwin faz uma história com um sentido sutil de humor, o eunuco em meio ao feroz turco, "era meu interesse romper com os arquétipos e clichês, forjada pela tradição ocidental, mostrando o turco erótico, diferente em meio as atrocidade e a crueldade" disse em uma entrevista, o estudioso de história bizantina, detalhando a atmosfera para o leitor se sentir em Istambul da época.

Uma série de bizarros assassinatos leva o terror às ruas de Istambul, corpos de jovens oficiais da nova Guarda imperial estão sendo encontrados mutilados, com o receio de não levar o pânico a população o Sultão e o Seraskier requisitam Yashim Togalu, um detetive inusitado, um eunuco cheio de mistérios que tem transito livre na corte e no submundo, para tentar solucionar o estranho caso.

Yashim terá dez dias para resolver o mistério dos assassinatos, pois o sultão fará uma grande revisão no coração de sua nova guarda, tencionando mostrar ao mundo um exército eficiente e reformado aos moldes dos soldados ocidentais. Com somente dez anos de existência, a Nova Guarda não é tão poderosa quanto devia ser, com a maioria de instrutores estrangeiros, a tropa é composta por jovens senhores, filhos de famílias ricas, ambiciosos, que os ferenghi, como são chamados os professores estrangeiros, classificam como um exército sem ritmo de guerra. Além dos crimes com o novo oficialato imperial, Yashim também terá que investigar a morte de uma moça do harém do Sultão, encontrada estrangulada. Na busca da verdade, Yashim levará o leitor a conhecer os mercados e cafés da cidade, o harém e suas conspirações, no momento em que o Império se modernizava e se esfarelava.

Entre a história e a ficção, Goodwi cria uma atmosfera de sensualidade e decadência, onde a vida é meramente um jogo para os políticos. O livro já foi traduzido em mais de 30 idiomas, com um estilo sólido semelhante ao O Nome da Rosa, como foi escrito na grande parte da imprensa mundial.


A Árvore dos Janízaros
Autor: Jason Goodwin
Editora Objetiva
364 páginas
Ano: 2007

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