A Garganta da Serpente
Resenhas dos Répteis releases, resenhas e críticas
Texto de:
  • aumentar a fonte
  • diminuir a fonte
  • versão para impressão
  • recomende esta página

Luz no Fim do Túnel - O Polêmico Livro do Ex-interno da Febem
- Um livro de Cleonder Evangelista -

Acabei de ler o chocante livro "Luz no Fim do Túnel" do ex-interno da FEBEM, Cleonder Evangelista, generosamente editado pela Arte e Ciência Editora e, sinceramente, as primeiras questões que me vieram à mente (desculpem) foram as seguintes:

01)-As tais autoridades com estúpidas e ímprobas posturas burocráticas como tudo foi muito bem arrolado no livro-depoimento foram investigadas, auditadas a partir do pé da letra da narrativa fria da obra (inclusive jurídica também) mesmo? Suspeitos do estado, pagos com dinheiro público. Começa por aí o cabeçalho das impertinências e arrazoados. Justiça não é prender.

02)-O que a FEBEM (essa víscera exposta de como não administrar nada público; incompetência generalizada mesmo e faz tempo) fez realmente enquanto instituição - mesmo que odiosa e corrupta, vá lá que seja - o que de prático-funcional aprendeu com a sua maléfica estrutura(SIC) extremamente animal herdada dos nefastos tempos de uma ditadura militar incompetente, violenta, corrupta, senil e, justiça seja feita, verdade seja dita, por décadas um verdadeiro nefasto cabide de emprego de incompetentes marajás-funcionários em antros de escorpiões. Vai por aí.

03)-De tanto construir prisões de fama falsa pra eleitores engabelados elogiarem, de suspeita segurança mínima (mas alta propaganda enganosa no frigir dos ovos político-midiáticos) e com um sistema prisional onde os bandidos sorteiam cestas básicas para marginais externos (fazem churrascos pops e loteiam máfias e quadrilhas) fica a questão pro governo (não soube e não quer aprender lições): de tanto pagar mal os professores (e sucatear políticas públicas), não sacou ainda na má resultante sócio-escolar que é melhor educar bem do que tentar punir o irremediável? Tudo isso e muito mais.

Aliás, curto e grosso: não deveria cada município ter sua entidade própria de reintegração social personalizada, local - até porque conhece o entorno da realidade e toda as seqüelas nas redondezas das marginálias específicas - e assim prover seus próprios carentes de todos os tipos, vivenciando inclusive e assim também com uma sensibilidade técnico-administrativa sazonal próxima do problema emergente, direto e linear? Solução tem. Querem ou isso significa auditar becos sem saída?

Voltando ao livro: E os processos montados contra o autor? Todos foram auditados, sofreram um crivo transparente e íntegro, foram revistados ou estão todos belamente impunes, os envolvidos direta ou indiretamente?. Cobrar também deveria doer a funcionários relapsos na área. Ser incompetente - de qualquer jeito - é uma forma de roubar o povo. Ou será que ninguém aprendeu lição nenhuma de nada. Envolvidos impunes? Teria sido, o livro (a vida de um pobre sem opções) inútil e não aproveitável para mudanças radicais no sistema bisonho, inclusive e também a partir do ECA-Estatuto da Criança e do Adolescente?

A história foi contada tal como é no caso concreto (dura realidade a dos oprimidos que são vítimas do sistema podre e a impunidade generalizada para altos padrões), uma história triste de vida, comovente; o governador deveria ler e refletir, promotores, juizes, desembargadores também, todos os ligados à educação ainda mais, e, claro, quem quer que seja mesmo do ramo na Segurança Pública (até agora não sobrou ninguém bom) e que também tenha a ver com essa falência do sistema prisional do Brasil e sua abandonada Periferia S/A

Autoridades incompetentes - estão aí há anos e não mudaram nada? - (quem é que vai pagar por isso?) não gostam de serem assim desnudas, mas o livro mostra os bastidores podres dos decrépitos quatro poderes, por isso fica alguma coisa no ar; as aparências enganam, verdades doem, e tudo isso me chega a ser bem semelhante ao caso Pixote (só para citar uma outra personagem-livro-vida) que foi morto por bandidos de terno, gravata e farda (e patentes), e por isso mesmo concluo que o autor desse livro, Cleonder Evangelista corre sério risco, corre perigo de vida. Millôr Fernandes trocadilhando dizia que, era preciso coragem, era preciso muita coragem para dar codinome aos bois. O autor de LUZ NO FIM DO TÚNEL deu nome, sobrenome, endereço, palco (circo de horror) apelido, alcunha, patente, nominação de função sórdida e tudo mais aos que deveriam ajudá-lo e o ferraram de vez, por egocentrismos, falta de humanismo prático, inúmeros abusos de autoridades, presunção total de impunidade (e-ou imunidade) má formação sócio-profissional e humana-cristãmente falando também. Há um Deus!

Recomendo ao autor-vítima - se ainda estiver vivo, pois preso certamente sempre estará (uma indústria de incriminações propositalmente o vem rastreando com certeza, pois o sistema é bruto) - que peça Asilo ético na Embaixada da Colômbia (depois da falência da classe média com o embuste eleitoreiro do golpe do Plano Real o padrão de vida lá é melhor do que o do Brasil), pois sim, sua vida está por um fio. Às vezes fica muito difícil saber de que lado mesmo estão os bandidos. Quem é que vai estar vivo pra conferir? Vai sobrar pro mané da ponta da linha, a corda do lado mais frágil. Parece que em São Paulo, para certas autoridades, nesses tempos hediondos, bala perdida é só uma coisa que entra por um ouvido e sai por outro, nada mais, na incompetência generalizada dos filhos do FHC, o Pai da Fome.

Torço pela vida do autor do LUZ NO FIOM DO TÚNEL, mas ao mesmo tempo temo por sua vida. Feridas expostas mostram criminosos de lados não tão distintos assim. Caso aconteça (esse é o verbo) um outro túnel no final do túnel, leiam o livro e ali estão os nomes dos culpados em todos os sentidos. A sociedade é hipócrita? O livro apenas relata, resgata, delata. Espero não ser só um arauto dizendo de um final infeliz para uma possível futura próxima edição. A desgraça mais do que caso de policia, pode virar filme, documentário e denunciar o assombro, o arroubo de tamanhas tantas incompetências, abusos de autoridades, insensibilidades governamentais de todos os naipes e níveis. Pobres brasileirinhos.

Compreender a verdade oculta de cada coisa, é ser a verdade, sendo por conseguinte, a revelação de cada coisa. Ou verdades sinceras não interessam para ninguém nesse momento?. Por fim, concluo que, por entre tantos tiranossauros, o pior monstro é o do sistema prisional brasileiro, e muito pior ainda o de São Paulo, pois aqui foi o que estranha e suspeitamente mais se investiu para ficar tudo como está, pouquíssimas mudanças a olho nu (a propaganda enganosa é outro embuste no open doping da mídia atrelada), tanto verniz novo (e caro) em estruturas velhas. Quem ganhou, quem ganha com isso? Só bandidos. Como eu acredito muito mais na chamada justiça do revezamento democrático, quando tudo mudar e precisa mudar, uma força tarefa multipartidária (e com a Polícia Federal) talvez revele o fundo do poço, o beco sem saída, as águas sujas, e também, certamente, quem é o dono do túnel.

E da falta de luz no fim dele.


Luz no Fim do Túnel
Autor: Cleonder Evangelista
Editora: Arte e Ciência Editora

773 visitas desde 19/04/2017


Quer outra dica de livro?