A Garganta da Serpente
Ouroboros histórias sem fim

O CIRCO


        Hoje tem marmelada? Tem, sim senhor! E tem muita história para ser contada... Sou palhaço (podem me chamar de Beleléu). Vivo no circo desde que nasci e não sei fazer outra coisa além de buscar o sorriso nos rostos das crianças. Mas, hoje... estou aqui, tentando inventar uma mágica para impedir que o circo feche.
        Toda a magia e o encanto daquele circo estava agora entre as lagrimas de Beleléu, que sentado nos degraus da jaula dos tigres, a quem se via as costelas pea fome dos últimos tempos, tentava em vão não carpir mas arranjar uma solução. como fazer para angariar fundos e voltar a ver aquela parada toda de malabaristas, animais, trapzistas, mágicos e está claro, palhaços, pudessem voltar a brilhar mais que s próprios fatos? As crianças agora não pediam para ir ao circo. Preferiam ficar em casa atrás dos computadores e das televisões. Os pais por sua vez também não insistiam, sempre era mais cómodo ficar no sofá a ter de andar com as criancinhas em algazarra de um lado para o outro. Também os adultos tinham perdido a capacidade de Olhar para um circo. Como sair da situação? Como virar tudo sem ter de tudo virar?
        Cabisbaixo, dirigiu-se à sua caravana, entrou e estendeu-se na cama. Caiu num sono inquieto, e , já tarde, teve um sonho. Sonhou que uma jovem mulher, muito bela, o levava pela mão por um arrabalde cinzento e triste, avistaram umas casas, vultos indefinidos de crianças andavam de cá para lá. Agora a mulher já não estava com ele. Aproximou-se das casas.
        Mas a única coisa que conseguia vislumbrar eram paredes, apenas paredes, sem homens, sem mulheres, sem tectos, apenas vultos escondidos de crianças. Acordou num sufoco. com a garganta seca e procurou instantaneamente o significado daquele sonho. Quereria ele expressar uma solução. Levantou-se e procurou o copo da água e enquanto bebia passaram-lhe algumas imagens do conto Pinóquio pelos olhos. Apenas a verdade e a vontade forte de ser menino de verdade o tinham feito realizar o sonho. Mas isso agora era apenas uma pequena centelha da solução. Em termos práticos isso de nada serviria. Voltou a deitar-se mas não conseguiu adormecer. O circo lá fora sem vida, os animais calados pela fome e o silêncio que teimava em ficar. Beleléu chorou, como só um palhaço consegue chorar
        Dormiu então, profundamente, e de madrugada acordou desse sono sem sonhos. Teve uma inspiração: Lembrou os vultos das crianças, no arrabalde do sonho que tivera no início da noite...Levantou-se e vestiu-se à pressa, quase febril. Dirigiu-se à caravana de Karla, a dona do circo, que o estimava e decerto o ouviria. Bateu à porta, Karla respondeu de dentro, numa voz profunda: - Entra Beleléu... - Reconhecera decerto os seus passos, a forma de bater.
         O interior estava decorado com as muitas memórias daquele Circo, mas também coisas de mulher e objectos esotéricos. Karla era uma mulher madura, com dons de vidência, deitava cartas, lia o futuro, adivinhava os pensamentos...
         - Esperava-te! - Disse. - Li no tarot que a solução dos nossos problemas surgiria de ti, num sonho...Sonhaste algo, Beleléu?
         O palhaço sorriu interiormente, mas por fora embasbacou de boca aberta, apenas um momento, mas o suficiente para fazer rir a sua desconcertante patroa.- Tive um sonho, sim! - Disse, de chofre. - Sonhei com um arrabalde de casas velhas e pobres. Um lugar triste com vultos de crianças, onde não escutei risos...
         A mulher ficou em silêncio. Era ainda bela, com um olhar perturbador de inteligência e mistério. O tempo e a pobreza não haviam apagado a feminilidade, e Beleléu deu consigo a descobrir-se homem por baixo do palhaço...
         Cortando o silêncio, Karla falou, como se pesasse cada palavra: - Beleléu, és lindo! Deus falou-te, e através de ti, falou comigo! - Como?! - Disse ele , incrédulo. - Simples, disse Karla. - Vamos dar um espetáculo, talvez o último, às crianças do bairro pobre! Vamos levar a luz onde ela é precisa! E vamos fazê-lo de graça!
         Sentado, Beleléu, sentiu que a febre lhe passava. As mãos, apertadas uma na outra, distenderam-se. Agora, o seu coração estava em paz.
        Sem uma palavra mais saiu da caravana com o olhar distante, na névoa ainda do sonho que tivera. A dúvida assaltou-o: mesmo que ofertassem o "tal" espectáculo às crianças pobres, isso não preconizaria qualquer saída financeira para o Circo e os animais continuariam com fome e a sua máscara quedaria depois e de novo, pousada, enleando-se em pó sobre o penteador. Concerteza o sonho seria mesmo uma visão antecipada do que iria acontecer: a apoteose, o canto do cisne uma grande ária para uma aventura extensa de sorrisos arrancados durante todos aqueles anos.
         Sentiu-se febril de novo ao entrar na sua caravana. Ali estava quase escarnecendo dele a sua velha máscara: "Então Beléleu, grande palhaço? Aqui estamos os dois a envelhecer no meio de pó e de recordações". Não. Não desta vez. Nem que fosse pela última vez, iria protagonizar o grande momento, aquele em que as crianças de corações a galope pelas bermas da pista, batendo palmas para aliviar a expectativa e a tensão, com os lábios entreabertos em forma de quase riso, o veriam entrar, numa pirueta, num salto, e ouviria, nem que fosse pela última vez a primeira gargalhada e grito de êxtase da boca daquelas crianças que uniria em uníssono todos os risos que já ouvira ao longo dos anos de existência de Beléleu.
         Olhou o desgastado espelho e viu o que já há muito se havia esquecido de ver: um sorriso infantil no seu rosto. Olhou para os pés e viu-se calçado de novo com os enormes sapatos forrados a choro. O verdadeiro sentimento dos palhaços ali encarnado em Beléleu: o riso encobrindo a lágrima que antevê o final.
        Fora, os preparativos começavam já. Os últimos dinheiros haviam adquirido alimento para gente e feras. Os fatos coloridos saíam das arcas, como combatentes saídos da clandestinidade. Montava-se a grande tenda, entre o riso dos homens.
         Algures chegara a notícia estranha do Circo Gratuito, dos lugares marcados para as crianças que não os podiam pagar. Um jornalista local passara a novidade, alguns curiosos chegavam de fora.
         Karla folheava o jornal que lhe haviam trazido; Encontrou o artigo: O Canto do Cisne. - Diziam as letras. - Circo na falência resolve oferecer um último espetáculo às crianças que anseiam por tigres e ternura! - Sorriu, relembrando a sua vida, dedicada a tudo aquilo. Que seria dela depois? E que seria de Beléleu? E porque pensava ela em Beléleu, entre tanta gente do circo? Olhou o tarot, mas não quis sequer tocar-lhe.
         Beléleu atravessava o pó, entre caravanas, quando um sujeito bem vestido o abordou: - Pode indicar-me onde fica o gabinete do director? - O palhço achou graça ao termo gabinete, e sorriu. O sujeito era de meia idade e um pouco desajeitado naquele ambiente. Após bater, introduziu o senhor, apresentando-o à patroa. Karla fumava um cigarro, com o jornal aberto à sua frente. O cavalheiro começou a falar, após sentar-se, e nem Karla nem Baléleu conseguiram logo acreditar no que ouviam. Era simples: a Sociedade de Benificiência da cidade, felizmente abonada, pretendia subsidiar o espectáculo, e encomendar outros para todas as crianças da cidade, tivessem fome de pão ou de ternura.
        ___ Mas o senhor é muito bondoso!! Beleléu, não concorda? Não só o senhor, certamente...não senhor. A sua sociedade então...é muita bondade. Não acha Beleléu? ___ E Karla sorria e cabeceava, de modo meio idiota, o que precupou Beleléu.
         ___ O senhor não ligue prá ela, não. É só felicidade, sabe? ___ Beleléu, pressuroso. ___ Afinal, bem...vamos conversar então? Espetáculos, o senhor disse? ___ untuosamente completou, a voz quase falhando.
         ___ Muito bondoso mesmo... ___ Karla contiuava, para todos e para ninguém. ___ Beleléu, este homem...não deve ser homem! Taí, descobri.
         Um Beleléu aflito teve que assitir então a Karla que, atabalhoadamente, inspecionava as costas do visitante a procura de asas. Este, impassível e sereno.
         ____ O senhor nos perdoe...a moça é brincalhona..., "e em breve será um cadáver de moça, se não parar com essa loucura", pensou Beleléu, considerando a hipótese de amarrar e amordaçar Karla por toda uma semana, ou mais.
         ___ Não há problema, ela não está machucando...eu sempre asas bem fortes. ___ disse, e em seu surgiu a sugestão de um sorriso. Entretanto, um sorriso contido, calmo, próprio de cavalheiro.
        - Qual seu nome meu senhor? - perguntou Beleléu.
         - Meu nome é Ademar Lima de Pompeu, sou secretário da Sociedade. Venho em representação da Sra. Pontes Rieger, patrona da nossa instituição. Ela não pôde vir, mas disse que estaria aqui para assistir a apresentação. A propósito, daqui a uma hora vai começar não é mesmo? -.
         - Isso mesmo, isso mesmo - disse Karla olhando o relógio -tenho que ver como estão os preparativos -.
         - Então eu vou andando, e nos vemos na apresentação -. despediu-se o Sr. Ademar
         - Mais uma vez obrigado, e mande avisar a Sra. Rieger que ela vai adorar -. despediu-se Karla abrindo a porta para ele.
        
         Ao retornar olhou para Beleléu ainda incrédula com a velocidade dos acontecimentos. Ao fitá-lo percebeu que alguma coisa não estava bem. Ele estava estático, fitando o vazio.
         - Que foi Rubens? Faz assim não, você sabe que eu não gosto quando você fica pensativo demais -.
        
         Rubens era o nome verdadeiro de Beléléu. Karla sempre o chamava assim quando queria usar um tom de voz mais sério. Era algo quase maternal.
        
         - Karla,... essa Sra. Rieger... - ficou calado
        
         - Fala Rubens! O que deu em você?!, uma notícia boa dessas e você está aí todo deprimido? o que houve? me conta? Que tem essa Sra. Rieger? -.
        
         Ele alçou a vista pela janela, ainda sério, depois fitou Karla, e como saindo de um transe respondeu.
        
         - Nada não... - e esboçando um sorriso forçado saiu - Temos que nos arrumar Karla, daqui a uma hora vai começar o show.
        Beleléu foi ao seu canto, se maquiou, pôs sua roupa colorida que era como se fosse sua pele, o nariz vermelho, fechou os olhos. Foi então que, sem enxergar, começou a ver coisas, caminhar por caminhos dentro de si mesmo. Eram veredas tortuosas mas que ele reconhecia, de algum lugar do passado. Chegou então a sua casa antiga, que morava quando criança, entrou no seu quarto, viu no canto seu brinquedo favorito e começou a brincar, pular e cantar, era criança novamente...
         De repente, apareceu o adulto. Era uma mulher, fria e feia, que dizia que ele era fracassado, bobo, paspalho, palhaço... ele chorava, gritava, tanto que sua alma pareceu sair pra fora. Se olhou no espelho, seu nariz estava vermelho, simj! Eu sou mesmo um palhaço! pensou... e saiu da casa correndo, decidido a ir para o circo. Mas no caminho, parou, lembrou-se de que só havia escutado e não falado ao adulto, voltou e disse:
         -Adeus senhora Rieger, não preciso mas de seus cuidados, vou ao circo, vou ser palhaço, nunca mais quero te ver! E foi embora.
         A mulher ficou parada, incrédula, sentiu que havia perdido algo, mas não fez nada para impedi-lo....
         Beleléu, no céu, abriu os olhos, agora ela voltou, ajudando, talvez se arrependeu. E foi para o espetáculo com os olhos cheios de luz.
        beleléu, aturdido após o terrível som que ouvira, espiou pela janelinha de seu furgão brilhante à luz da Lua e enxergou o vulto daquele que julgava ser ele mesmo... o homem que ele matara, para apoderar-se de tudo que esse fulano tinha, aquela linda filha, loira, olhos azuis... pele rosada como o p?êssego, e cheirando a um... aquilo era digno de horas de luta... havia sido digno... mas ela morrera em suas mãos, assim como o pai e toda a fortuna do velho homem, que prometera voltar para vingar-se.
        As ilusões levadas pela inocência foram estirpadas do mundo, e eu, palhaço não só por profissão, busco um último sorriso. Daquele sorriso que por vezes foi meu pão. Antes eu podia olhar no fundo dos olhos de uma criança e sentir paz, a missão cumprida através de seu sorriso. Podia fazer que de corpos adultos brotassem jovens em plena inocência, pra quem o palhaço era apenas um ladrão de mulher. Hoje não há a expectativa dos grandes espetáculos dos "Gran Circus", hoje não há grandes circos. - E aquele que sempre foi o motivo das gargalhadas, debaixo da tenda hoje se vê só, no meio do picadeiro, o circo vazio pela perda dos dias da infância-. Quem disse que palhaço não chora? Não há mágica que possa fazer o tempo voltar, que possa colocar a magia dentro dos corações das pessoas, não há truques para humanizar as pessoas?
         Hoje tem marmelada?Não! Hoje tem dor...
         E eu, que sempre mandei a tristeza pro beleléu, não tenho pra onde ir, pra onde levar minhas ilusões, meu sorriso(não tenho mais um sorriso).
         Tirei minha maquiagem e fui à luta, mas não me levaram muito à sério.
         Palhaçada, não acha?
        #####só um aparte######
        
         muito f#%a o que vc escreveu Rawel
        
         ##############################
(tanto faz)
        muito o quê?quem é tanto faz?apenas transcrevi um pedaço da minha realidade.me escreva
        VAMOS AO CIRCO
        
         chegou o momento mais esperado!!!
        
         meninos e meninas vamosanunciar:
        
         o palhaço!!!!!
        
         todo o palhaço esconde-se por detras de uma mascara!!
        
         A Faceta é sempre ser feliz....Alegre...e bricalhao!!!
        
         e quem diz q o palhaço nao chora»»»???
        
        
         Pois eu digo, o palhaço não chora, ele é feliz o tempo todo, brincalhão como uma criança inocente. Este palhaço só ria. Mas por detrás desse palhaço, se escondia um homem que era arrogante, prepotente, gostava de orgias, muito sexo, muitas drogas, o nome dele era Felipe. Adorava as criança e o circo, mas também gostava de embebedar-se e de usar drogas pesadas.
         Rubens estava calado, pensativo, pensava sobre a vida que levava, vida de circo, vida de nômade. As vezes se cansava de viver daquele jeito.
         O circo já estava montado, naquela noite haveria espetáculo. Karla entrou e viu Rubens sentado no chão do picadeiro.
         _O que foi Rubens? Tá pensando em que?Na morte da bezerra é?
         _Tô pensando na vida, na minha vida, já tenho trinta anos, sou palhaço e praticamente nasci no circo. E quando eu tiver sessenta, o que vai ser de mim? Vou viver de que? Me sustentar como? O nosso circo está a beira da falência!
         Karla não disse nada, sabia que ele tinha razão.
         _Talvéz eu viva de bicos por aí animando festinhas de criança. Mas aí os jovens virão eu eu, já velho, vou ter que tirar meu time de campo!
         _Mas você ainda não é velho!
         _Mas vou ficar, é a lei da natureza, não tem como escapar.
        palha;ada continui numa boa
        -em vez de se preocupar com sua vida aos sessenta anos,pense no presente.Não está ouvindo as crianças gritarem seu nome?
         -Beleleu
         -Beleleu
         -Beleleu
         -Beleleu
         -Beleleu
        Logo em seguida Rubens escutou as crianças cantando, alto, com suas doces e puras vozes infantis uma música nova que ele não conhecia:
         Batam palmas, palmas para o palhaço...
         Vejam crianças tintas e pincéis
         Vamos pintar
         O palhaço e seus anéis
         E na tela sublime aquarela
         É o palhaço colorido
         E sorridente
         Mas o que ninguem sabe
         O que ninguem sente
         Dos seus olhos
         Brotam lágrimas ardentes
        
         Rubens percebeu que as lágrimas inundavam seu rosto sem controle, enquanto isso as crianças continuavam a cantar:
        
         Palhaço amigo não chore
         A vida é mesmo assim...
         Levanta a cabeça
         Olha para mim
         No picadeiro eu te quero feliz...
        
         Rubens, repentinamente saiu dando piruetas e fazendo graças, o que um palhaço que se presa sabe tão bem fazer. Afinal havia uma tarde ensolarada lá fora.e crianças surgiam de todos os lados só para ver o palhaço e ele não podia desapontá-las.
        E foi assim que o palhaço alegrou tantas crianças... aquelas que não tinham como pagar o circo... o circo que todos gostavam... isso... gostavam...
         Depois do espetáculo, depois de muitas risadas, brincadeiras com a criançada, o palhaço entrou em sua caravana. Pensou naquela moça... na moça de olhos azuis e louros cabelos... adormeceu... pensando na alegria das crianças quando elas o viram.
         Acordou de sobresalto. Sonhara com uma moça... de cabelos prateados e olhos violetas. Ela estava com um cravo... um cravo azul, sua flor preferida, e o chamava. Foi quando ouviu batidas na sua porta. Já era de manhã e ele não percebera.
         - Pode entrar. - disse, levantando-se.
         - Rubens? - era Karla, mas ela não estava sozinha.
         - Sim. - ele abriu bem os olhos azuis, tentando enxergar além de Karla.
         - Tenho uma pessoa para lhe apresentar. - ela respondeu, puxando o ser que trazia trás de si passar mais a frente.
         Era ela. A moça de olhos violetas. Ele passou a mão pelos cabelos loiros e a olhou.
         - Oi. - ela o cumprimentou com um sorriso sereno. Um sorriso de criança.
         - Oi. - ele retribuiu o cumprimento, com um aceno.
         - Bom, o nome dela é Thera. Ela será a nova trapezista do circo, já que o Carlos saiu quando nós estávamos... bem, quando nós não tinhamos como sustentá-lo. - Karla disse.
         - É, fiquei sabendo por um homem chamado Ademar... ele disse que vcs estavam precisando. - ela sorriu novamente, o q deixou o palhaço atordoado. Ela parecia um anjo...
        sim! ela paracia um anjo. o anjo repugnante. no qual sua beleza maltrata o espectador.
         um encantamento rodeava-o, assustava-o. sentia -se brutalmente atraído por aquela estranha.no inicio ele achava inteessante aquelas trocas de olhar, os sorrisos disfarçados querendo ser notados. mas depois , começou a ficar incomodado com a inseistência da moça. ela era estranha. o olhar dela... o olhar dela tinha algo de misterioso , desonhecido que dava-lhe um certo pavor. ele buscava o olhar dele. em todos os momentos. ele sentia-se invadido tinha vezes. como se ela conseguisse lê-lo por inteiro.desde seus mais intímos pensamentos até seus mais desconhecidos desejos. sem querer ele começou a fugir dela. tentava evitar os lugares onde ela poderia estar.na hora do almoço , sentava o mais longe possivel dela. e sempre, sempre , quando ele dava conta, lá estava ela: fitando-o fixamente , penetrando em sua alma , ou seja lá o que fosse. mas ele sentia. sentia-a invadindo-o. certo dia , na hora do almoço , ela sentou-se á sua frente. e sem dizer uma palavra , comeu toda sua comida e bebeu todo o seu suco, sempre olhando pra ele. ele, tremia, não entendia o porque de tais sensações. quem era ela. porque ela lhe causava tudo aquilo? seria medo? ele olhava pra ela de relance , mas nao conseguia sustentar o olhar. era intimidador.
         até que ela disse:
         -porque foges de mim? do que tens medo? acaso sou tão assustadora assim que precises fugir de mim , dos meus olhares 24horas?
         rubens não sabia o que dizer. levantou a cabeça e olhou-a fixamente. como seus olhos eram lindos! era um violeta encantador. dava vontade de mergulhar naquele violeta enão sair jamais. começou a chorar. sentiu-se tão estranho. desconhecido a si mesmo...
         não sabia o que dizer, não sabia explicar suas atitudes, e sentia-se envergonhado.
         ela olhava-o com o mesmo olhar no qual se sentara .
         e el disse:
         -voce me assusta! desculpa... voce me intimida de um jeito... não consigo mais pensarem nada. minhas palhaçadas não são mais as mesmas. é uma sensaçao estranha... não sei se gosto ou não , me sinto confuso e com vontade de desaparecer, fugir de voce... desculpa...
         e abaixou a cabeça.
         ela levantou-se e o rodiou, foi do lado dele , juntou sua boca no seu ouvido , como pradizer segredo ,e sussurrou:
         - tambem tenho medo. mas gosto disso. e te espero.
         e saiu sem dizer mais nada e nem olhar pra trás. deixando rubens petrificado. de olhos arregalados. suando. alterado.
         Á noite na sua cama, rubens não pensava em outra coisa senão nela :Thera..Thera... que mulher era essa que mexia tanto com ele? ele nem sequer sabia se era bom ou não tudo isso. ás vezes era desesperador.
         batem á porta.
         que, é ? -diz rubens que acordara de seus sonhos .
        - Rubens... preciso dizer-te algo. - era a sua voz... a voz daquela mulher que o entorpecia.
         - Entre, então. - ele abriu a porta para ela, mas quando o fez, notou que a moça estava chorando. A roupa de trapezista, como uma segunda pele sobre seu corpo... Mas ela estava chorando e não sabia por que. - O que foi, Thera? - perguntou-lhe.
         - Sonhei... mas não sonhei... como se estivesse sonhando, mas era verdade... pura verdade.... o circo, Rubens, pegando fogo!!! E minha vida junto dele também! - Ela caiu de joelhos, com as mãos no rosto.
         - Era só um sonho, Thera, levante-se... -ele se abaixou e procurou acalmá-la.
         - Por quê? Por quê eu tenho que ir embora de novo quando arranjo um lugar para ficar? Por que eu sempre tenho que ir? Por quê??
         - Como assim? - ele perguntou, confuso. - Como assim... ir embora?
         Ela o olhou. Os olhos violetas secaram rápidamente e ela se levantou de supetão.
         -Nada de mais. Orbigada por tudo. Diga à Karla que eu viajei. Tchau. - ela beijou a bochecha do palhanço, onde ele sentiu um leve formigamento, e ela correu.
         - Thera! Volte! - ele gritou, mas ela não escutou...
        
        foi então que ele parou. e ficou sem pensar.virou bicho , cria~ça , não sabia. mas era algo instintivo.
         um calor começou a subir-lhe pelo corpo, e uma alegrianatural e singela a invadir-lhe.
         seu copo vibrava.
         num susto gritou de uma só vez:-CHEGA!
         essa historia ta muito sem-graça.
         preciso mudar isso! preciso mudar minha vida!
         eu sei que posso. eu sei! eu que crie tudo. eu que criei.
         apartir de agora começo de novo.
         o que quero ser? não quero mais ser palhaço. quero sero ser o que vier. quero ser ninguem , e vir a ser o que acontecer.
         e assim, o rubens, ou não , saiu e foi andando, andando. na direçao pra onde o vento soprava.
(joa)
        o vento parou de soprar. e ele não souba pra onde ir. sentou-se debaixo de um eucalipto que passava ao lado dele. tava cansado...tinha andado muito.sem querer, sem pensar, pqgou no sono, e dormiu...dormiu...
         quando acordou, não reconheceu aquele lugar? onde estaria ele? imagens estranhas , abstratas passavam na sua frente: um circo, um lago, a morte, um bebe, uma mulher, um lugar desconhecido...
         estava atordoado. olhou em volta. nossa!! como era lindo esse lugar em que ele se encontrava... o céu....meu deus...! o céu era lilás! havia um sol multicolorido, que raiava musica.. sim...musica! estaria sonhando? se sim, que sonho gostoso! seu corpo estava leve , numa temperatura agradavel. não queria acordar. mas se beliscou pra comprovar-seria verdade isso de 'me belisque se estiver sonhando?' bom se for , eu não estou sonhando! pois tudo continua igual.
         levantou-se e foi em direçao a uma esfera reluzente que piscava, aparecia e desaparecia, aparecia e desaparecia.
         na frente dele, correndo, passou um bicho.um bicho que ele não se lembrava de ter visto. era lindo. agil, ecêntrico. quis correr atras pra ver o que era. de repente
(carolina capellani)
        excêntrico.---- sorry.
(carolina)
        A luz aumentou intensamente a ponto de ele n querer mais correr... a ponto de ele se hipnotizar ainda mais... a ponto de ele sentir uma excência diferente no seu corpo... se aproximou daquela luz, piscando, que aumentava de intensidade ainda mais... tocou com o dendo indicador e a luz se intensificou a ponto de cegá-lo!
         A luz tomou conta de seu corpo, e ele sentiu uma sensação gostosa... num misto de frio e calor, que arrpiava todos os pelinhus do seu corpo... estava, agora, iindo pra outro lugar..
        Um baque surdo. Estava em sua fria cama perdido no meio da noite. Uma gravura de Buster Keaton pendia torta ao lado da janela.
        "Que merda toda foi essa", pensou. Mirou o despertador empoeirado e pôde sentir todo o peso das cinco horas da manhã. Levantou-se.
         Apõs fumar o terceiro cigarro da manhã, jogou nos ombros o velho sobretudo e resolveu ir até o cais do porto para sentar-se em algum canto e terminar suas anotações.
        
         "Lugar qualquer, 7 de novembro. 6:40h da manhã.
        
         Tive um sonho estranho. Não importa. Sonhos como todos os outros. Keaton me acordou fazendo cara de pedra. Pra variar."
        Na realidade,ele tinha medo de sair de sua vida miseravel.Não queria perder a esperança ,nem os sonhos.Estava em final de carreira,estava velho,nunca amou ou assumiu qualquer compromisso.E agora sentia que tinha se perdido no proprio tempo.Seu inconciente já vinha dando sinais que precisava se libertar.Thera despertou nele todo sentimento que teimava em esconder.Queria muito,desejavamuito aquela mulher.Estava velho,Tinha represado durante anos tantas em~ções que agora sentia uma grande voltade de chorar pelos anos perdidos.Durante toda sua vida fez outras pessoas felizes,agradava escutar suas gargalhada,e agora resta para ele a tristeza.Precisa ir em busca de Thera,quer recomeçar a viver,quer sua juventude,sua alma seu corpo.Sai caminhando,deixa seu coração guiar seus passos,precisa recomeçar a viver.
        E sentado ele suspirou profundamente e num jato de gosma esverdeada ele botou suas tripas para fora (argh!). Que maldita vida infeliz! Gritou aos quatro ventos... é a morte... é a morte... é a morte!!!
         Assim se acabou o palhasso (desculpe os esses, faz parte da desgrassa!) E a Vida escapou entre os dedos como areia. E o Circo vestiu-se de lona preta.
        E termina mais uma temporada naquele local amaldiçoado. Com a morte do palhaço muitos se regosijaram pois aquele ser pintado era insano, repugnante nos pensamentos. Por detrás daquela falsa alegria morava um ser desumano, frequentador de cemitérios. Adriana Martins passava a gerenciar o Circo. E trouxe a Cabala, os Exus, A maldição e a repugnância para dentro do Circo. Começou a utilizar os animais em feitiçarias, em Voduu! Com o tempo as pessoas começaram a temer a força negativa que exalava podridão, a decadência das virtudes humanas. Renato e Zolstói tornaram fiéis seguidores dos cultos profanos que aconteciam com frequência no Circo. Uma força medonha se desprendia do picadeiro. O Mago Kidamaru Chan realizava sacrificios oferecidos a CthulhuFhtagn! Coisas escabrosas ocorriam debaixo daquela lona, indecências, putrefação necrófila, um cheiro terrivel de polvora e enxofre causando asco e nojo! A população, em polvorosa se sentia indefesa e passavam parte do dia em circulos religiosos se entregando a oração e a adoração de Cthulhu Fhtagn! A virgem Karoline foi entregue, num ritual, como oferenda aquele Deus devasso!
        O Mago Kidamaru Chan, em uma de suas exortações demoniacas, viu surgir no seu circulo mágico uma coisa, argh! desumana, nefasta, mau agorenta, que fugia a sua compreenção. Aquele ser tinha cabeça de polvo com seus tentáculos, corpo escamoso revestido por uma gosma virulenta semelhante a puz de cor esverdeado, seus pés e mãos tinha garras, desprendia um cheiro horroroso, indecente, nefasto, semelhante a feridas pútridas e nauseante. Sua presença ofendia a Deus e a Nosso Senhor Jesus Cristo! Cthulhu Fhtagn! Cthulhu Fhtagn! Cthulhu Fhtagn! Clamava por sangue, sangue de Capellani, jovem e saudável. Era necessário saciar aquele Anjo Caido! Vermes saciam dos poros infectos de Kidamaru, que a essa altura tinha perdido por completo a coordenação daquele circulo mágico. Tinha acordado o "nefando" o asqueroso e pai de toda a devassidão! Cthulhu Fhtagn tinha acordado de seu sono milenar, de sua morada eterna em Miskatrônik, cidade dos malditos.
        Goulart Nunes, uma criatura doce e singela, indicada para acompanhar as aparições, viu-se numa terrivel enrascada! Como deter a sede voraz de Cthulhu que não se contentava com o sangue da virgem! Como deter aquele ser imoral! Um urro medonho ecoou no picadeiro! O livro maldito dos mortos foi aberto, o Necronomicon foi lido, a besta fera se encolheu, seu corpo se retorceu inteiro, sua boca salivava espumando um líquido viscoso cor de bétula. Cthulhu Fhtagn! Amaldiçoado seja! O Imortal, inaudito, escamoso Deus das trevas.
        O vilarejo em ruinas, desde a chegada do Circo, não tinha mais sossego. As igrejas abandonadas por falta de fiéis que se entregaram ao culto de Cthulhu Fhtagn! E os seus devotos fiéis perseguiam os Padres, freiras e todo cristão declarado. As crianças daquele vilarejo, desde cedo aprendiam a venerar o nefasto Deus. Miskatrônik, a cidade maldita estava em ruinas, entregue a podridão e a lasciva. Crianças praticavam sexo nos púlpito das igrejas. Fezes eram lançadas nos crucifixos. A devoção a Cthulhu Fhtagn! se transformava a cada dia. Ele era o Deus supremo, virtuoso, destemido e protetor, várias virgens eram ofertadas em holocausto. Quando de Arkham chega Edcleise, cavaleiro solitário e Padre Exorcista. se deparando com aquela situação. A Cidade de Miskatrônik prostada em culto aquele Deus, asqueroso e deflorador de jovens puras e santificadas, freirinhas inocentes. Edcleise se sentiu aviltado em sua fé. Sentia o farfalhar de aves de mau agouro rodiarem por sua cabeça. Desprendeu tamanha corrida a fim de se safar daqueles monstros alados.
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