A Garganta da Serpente
Cobra Cordel literatura de cordel
  • aumentar a fonte
  • diminuir a fonte
  • versão para impressão
  • recomende esta página

O motorista cagão

(Miguel Nascimento)

Um dia eu viajei
Com destino a Maceió
Uma viagem tranqüila
Não podia ser mió
Mas a volta meu irmão
Me deu foi muita dó.

Resolvi o que queria
Com muita agilidade
Andei, fui pro ponto
Cheio de felicidade
Peguei o primeiro bus
Voltando Para a cidade

Meu destino, Rio Largo
No ônibus da tropical
Seu prefixo vinte e sete
Saindo da capital
Onze horas e quinze
Seu horário normal.

O peguei lá na cambona
Passei na rodoviária
Saímos lá no farol
Esta rota diária
Como a quilometragem
Que não é imaginária

Mas chegando num posto
Que faz abastecimento
Ouvi o povo conversando
Sobre um, tal sofrimento
Então logo observei
O motivo do lamento

Um rapazinho novo
Com jeitinho afeminado
Pulou pela catraca
Dizendo está atrasado
Foi embora pela rua
Um tanto preocupado

Lembrei logo de um filme
Onde o piloto sumiu
Perguntei pelo motorista
O cobrador disse: "Saiu!"
Porém fui argumentando
O miserável somente riu.

Portanto desconfiei
Da infeliz situação
Foi quando dois rapazes
Gritarem sem comoção
"Gente olhe para ali
Lá vem o motor cagão!"

Olhei de imediato
Para o lado que ele vinha
Totalmente desconfiado
O rosto vermelho ele tinha
Enquanto os passageiros
Todos faziam gracinha

E o pobre motor coitado
Pôs-se então a trabalhar
Ligou a chave do ônibus
Pôs o bicho para andar
O povo ia conversando
Sempre do motor zoar.

Imagine então você
Esta má situação
O pobre profissional
Sendo chamado de cagão
Porque no dia anterior
Se fartou de um bom feijão.

Participou de uma festança
Comeu uma boa feijoada
Bebeu cerveja, tomou pinga
Rangou carne e macarronada
Porém no dia seguinte
Teve dor daquela lascada

Foi então trabalhar
Para garantir o pão
Não fugiu da labuta
Foi à melhor opção
Preferiu passar mal
E ser chamado de cagão.

Mas voltando a viagem
Que comecei a contar
Ainda estamos na metade
Temos que continuar
Pois o herói motorista
Quer em casa chegar

Já perto de Rio Largo
Novamente ele parou
Perto da casa da Graça
Geovane perguntou:
Oxente Miguel me diga!
Por que o ônibus estacionou?

Eu já bem informado
Disse da tal situação
Meu amigo Geovane,
Foi o motor cagão
Que desceu nas carreiras
Para nossa salvação

Pois quase sai pelas calças
O piloto do motor
Que na verdade chamamos
Bosta, merda ou cocô.
Ainda bem que correu
Não provocou um terror.

Levou mais de meia hora
Para o pobre voltar
O ônibus já atrasado
E o povo a reclamar
Todo mundo agoniado
Querendo logo chegar

Um dos treze passageiros
Desceu com medicamento
Pegou um copo com água
Pra aliviar o sofrimento
Daquela triste alma
Dando fim ao tormento

Novamente deu seqüência
A sua grande empreitada
Deixando os passageiros
Perto de suas moradas
Ainda faria outra viagem
Para o fim de sua jornada.

Já em frente a empresa
Um funcionário desceu
Gritando para o companheiro
Que bom que tu não morreu!
Deu umas gargalhadas
E para a viação correu

E o pobre motorista
Deu um triste sorriso
Pedindo ao nosso Deus
Pra não o levar ao paraíso
Prometendo ao mesmo
Que tomaria juízo

E por um bom tempo
Não iria mais comer
Estas coisas gordurosas
Pois não queria morrer
E também não imaginava
Que a barriga iria doer.

Já passando da garagem
A Cigarra porém tocou
E na Mata do Rolo
O Buzão logo parou
Desceu um dos rapazes
Que do motorista zombou.

Ainda dentro do ônibus
Sem nenhum perdão
O rapaz agradeceu
Com aquele vozeirão
Valeu motor, obrigado
Valeu motorista cagão!

O povo riu tanto
Bom, não teve briga
E o tal do rapazinho Não quis fazer intriga
Mas notei um resmungo
Falando: "Fi de Rapariga!".

Todo mundo gargalhou
Da onda daquele rapaz
Que zombou toda viagem
Do motor tirou a paz
Mas o profissional provou
Que não era um incapaz.

Cegando ao meu ponto
Era hora de descer
Cheguei junto ao cobrador
Disse: "Eu vou Escrever
Este fato Hilariante
"E Para ti eu vou trazer".

Espero ter repassado
Tudo que aconteceu
E que o pobre Motorista
Neste dia ele venceu
Uma grande dessentiria
Graças a Deus não morreu.

Portanto então me despeço
Parabenizando este Herói
Pois sei que dessentiria
Profundamente dói
E quando não sai mais nada
O intestino se rói.

Por aqui vou parando
Também vou agradecendo
Pois estou com dor de barriga
Pro banheiro já estou correndo
Mas se tiver feijoada
Podes crer estou comendo.

Valeu seu motorista,
Cabra bom de profissão,
Lute pela sua vida
Batalhe pelo seu pão
Aqui estou terminando
Valeu motorista Cagão.

Homenagem ao profissional que mesmo passando mal, deu seqüência a sua jornada de trabalho e que venceu a incompreensão de muitos em seu dia-a-dia de trabalho. Parabéns motor!

258 visitas desde 19/04/2017
Copyright © 1999-2017 - A Garganta da Serpente
http://www.gargantadaserpente.com