| Erika Hirs |
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Por uma nova fonoaudiologia
(Erika Hirs)
Conheceram-se porque literalmente mamaram em mesmo peito: a língua e
o palato sempre foram irmãos e amantes. Ela terra gaia molhada, protótipo
da dança do ventre, fêmea nata sinuosa. Ele estrelado e rugoso,
ar e osso, céu da boca.
Amaram-se desde o início, músculo viscoso e teto duro, a lama
lasciva da língua tocando as dobras do paraíso, ele molhado por
ela de vida, seco e úmido alquímicos. De sua união nasceram
as palavras, de suas bebedeiras noturnas a poesia, corpos embalados por saliva.
Sempre se amaram, bem o sabem os disfluentes: a gagueira é na garganta,
o buraco é mais embaixo.
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