A Garganta da Serpente
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a garganta.:

Aqui é o umbigo da escuridão: o princípio e o fim da busca.
Aqui, todas os seres se confundem, se abrigam, se despem, se questionam: cobras, lagartos, poetas, nicks, UINs, todos os que habitam as teias espessas do anonimato. Cada um pode ser o que quiser, fazer o que quiser: os olhos na tela e o mundo nas mãos.
Não importa da onde venha ou para onde vá: ninguém passa impunemente por essa garganta (nem a própria serpente, que vai trocando de pele, à procura de novas presas).
Aqui impera o livre arbítrio e nenhuma mordaça jamais nos alcançará.
Esta é a terra imprecisa do caos. Aqui é solo sagrado, onde reinam homens e mulheres, velhos e crianças, carne e osso, Deus e o Diabo. Onde encontro você. Onde encontro a mim mesma.

a serpente.:

Você me pergunta quem sou e, no instante em que sua curiosidade beira a loucura, torno-me o exato veneno do seu temor e lhe ofereço minha alma.
Eu sou a guardiã das sombras esquecidas. A serpente que inibe e instiga. O ponto de exclamação. Anfótera, junto ocidente e oriente; vida e morte; yin e yang; deuses e demônios; caos, poesia e paixão.
Nasço. A cada findar de um novo dia. Permaneço pequena. Os cabelos, ainda longos. O olhar, ainda antigo. Orgulho-me de ter crescido envolta em arte. Pena meu piano estar fechado, minha flauta empoeirada, meu traço impreciso.
Desisti de brincar de Deus (quase que não busco meu diploma de Direito). Resolvi viver do limbo virtual, arquiteta da teia... Basta-me existir (e persistir).
Inspiro enquanto leio, expiro enquanto escrevo. Os dedos sempre inquietos, a cabeça sempre pulsante, buscando a ousadia perfeita.

E a serpente vaga, roçando pudores, arreganhando a garganta para deixar nascer a poesia. Aproxime-se! Sei que há repulsa e curiosidade.

a garganta da serpente.:

Não tema: os astros podem ajudá-lo a compreender meus meandros...
O sol me fez taurina e a lua de 1977 me fez ofídio.
A madrugada de 18 de fevereiro de 1999 pariu este website.
Que as estrelas nos protejam.

Quanto a você, espero que esteja preparado para o prazer de ser.

As portas, as pernas e a garganta continuarão abertas. Que entre e saia quem quiser.

agostina akemi sasaoka

   
Balacobaco (26.01.03)

Editora Komedi (02.02.99)


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