A Garganta da Serpente
Adoradores de Serpentes poemas sobre ofídios
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Oroboro

O Vento ciranda
Ao redor dos carvalhos
Procurando equacionar
Problemas insolúveis
Uma imagem refletida
Na superfície do Lago
Rosto em profundo sono
Como a imagem
De um belíssimo deus
Travando batalhas impossíveis
Dentro de si
Num infindável jogo
De morte e vida
Criação-Destruição-Criação
Oroboro e a Vida alimentando-se de si mesma
Como a Fortuna e sua Roda
Ou o próprio Samsara
Vida e Morte
E Vida novamente
E a dor que faz crescer
A vergonha que fortalece os ossos
E enobrece os tendões do jovem mestre
E assim sobre a folha seca
O primeiro grito se concentra e contorce
Como uma lava borbulhante
Corroendo os séculos
Girando no vácuo do cosmos
Espalhando-se como uma explosão
Uma Luz Primordial
A irradiar a semente da existência
Do Tempo e do Homem
É o despertar do deus adormecido
Sobre o lótus eterno
E do Caos nasce o ventre da Mãe
E o sangue em nossas veias
Correndo sempre na mesma direção
Sempre para frente
Como a História
Um vórtice de poderes ancestrais
Tanatos e Eros
Cronos e seus filhos devorados
Amor e Psique numa união proibida
Todos eles são faces e arquétipos
De energias incontroláveis
Como os domínios ocultos
No centro do mundo
As pinturas numa caverna perdida
Lembrando-nos de onde viemos
Que nossos castelos e arranha-céus
Não são nada
Que o verdadeiro poder
Está dentro dos olhos do garoto
Quando dorme à noite.


Eduardo E.

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